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O que o mercado espera de Bolsonaro

Propostas para as contas públicas, controle da dívida, redução de despesas e previsibilidade econômica estão entre os principais pontos observados por investidores no cenário eleitoral

O que o mercado espera de Bolsonaro
O senador Flávio Bolsonaro, durante evento de campanha no Maracanãzinho — Foto: Fabiano Rocha/Agência O Globo

Por Prime Rádio - O mercado financeiro acompanha com atenção o cenário eleitoral brasileiro de 2026, especialmente as propostas relacionadas à política fiscal, ao controle da dívida pública e à condução da economia. No campo político associado ao bolsonarismo, o candidato à Presidência pelo PL é o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.




A avaliação dos agentes econômicos não se concentra apenas na identidade dos candidatos, mas também na viabilidade dos programas apresentados e na capacidade do próximo governo de estabelecer uma trajetória considerada sustentável para as contas públicas. A Anbima (Associação dos Mercados Financeiro e de Capitais), por exemplo, apresentou às campanhas uma agenda que inclui segurança jurídica, previsibilidade regulatória, fortalecimento das instituições e medidas para reduzir o chamado Custo Brasil.


No caso de Flávio Bolsonaro, o plano de governo divulgado em agosto prevê mudanças relevantes na política fiscal. O documento propõe a criação de um novo teto para os gastos públicos e estabelece como objetivo alcançar estabilidade e, posteriormente, reduzir a relação entre a dívida pública e o Produto Interno Bruto (PIB). O programa também defende redução de despesas administrativas e a diminuição de pelo menos dez ministérios.


Outro ponto apresentado pela campanha é a possibilidade de retomada de medidas de desestatização e ampliação de concessões. O plano também prevê continuidade da reforma administrativa, redução de cargos comissionados e combate a benefícios considerados excessivos no setor público.


A questão fiscal ganhou importância no mercado diante do nível da dívida pública e das incertezas sobre sua trajetória. Em agosto, a Reuters informou que um integrante da equipe econômica de Flávio Bolsonaro afirmou que uma eventual administração do senador pretende criar um limite para a dívida pública, que acionaria mecanismos de contenção de despesas quando determinado patamar fosse ultrapassado. O limite específico ainda não havia sido definido publicamente.


Além do controle dos gastos, o programa de Flávio Bolsonaro propõe alterações na reforma tributária, com redução de exceções e revisão de benefícios, além de medidas para diminuir tributos sobre energia elétrica e combustíveis. O documento também prevê iniciativas voltadas à redução dos preços dos alimentos, à infraestrutura logística e ao agronegócio.


Para os investidores, entretanto, a apresentação de propostas não encerra a questão. Reportagens recentes sobre o comportamento dos mercados destacam que a capacidade de execução de um eventual programa fiscal é um dos elementos observados na formação das expectativas para juros, câmbio e ativos brasileiros.


A CNN Brasil registrou em setembro que o mercado passou a incorporar de maneira mais intensa o cenário eleitoral aos preços dos ativos, movimento conhecido como "trade eleitoral". A publicação também destacou que investidores procuram avaliar quais seriam as regras econômicas de acordo com o resultado da eleição e aguardam maior definição sobre a política fiscal.


A preocupação com as contas públicas também aparece em análises recentes sobre o período posterior à eleição. Segundo levantamento publicado pelo UOL, bancos de investimento têm defendido que o próximo governo apresente rapidamente um programa de ajuste fiscal e obtenha resultados positivos nas contas primárias a partir de 2027.


Nesse contexto, as expectativas do mercado em relação a um eventual governo ligado ao bolsonarismo envolvem principalmente a forma como seriam implementadas as propostas de redução de despesas, controle da dívida, revisão de benefícios tributários e mudanças regulatórias. A reação dos ativos, contudo, também depende de fatores externos, da composição do Congresso Nacional, da capacidade de aprovação das medidas e das condições econômicas internacionais.


O cenário permanece sujeito a mudanças até a eleição. Dados recentes mostram que o mercado financeiro vem reagindo não apenas às propostas econômicas, mas também às pesquisas eleitorais e às perspectivas para a política fiscal do próximo governo. Assim, as expectativas dos investidores podem sofrer alterações conforme sejam divulgados novos programas, alianças, pesquisas e informações sobre a composição das equipes econômicas.


Fontes: Reuters; Folha de S.Paulo; CNN Brasil; UOL; Anbima.