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Lula diz que Trump “age como imperador” e estuda produtos para lista de reciprocidade após tarifaço dos EUA

Em Nova York, presidente afirma que não pretende entrar em confronto com os Estados Unidos e defende a continuidade das negociações comerciais

Lula diz que Trump “age como imperador” e estuda produtos para lista de reciprocidade após tarifaço dos EUA
Trump e Lula durante encontro na Malásia em outubro — Foto: Ricardo Stuckert / Presidência da República/ 26-10-2025

Por Prime Rádio - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (21), em Nova York, que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, “age como imperador” ao conduzir as relações comerciais com outros países. Lula também declarou que o governo brasileiro avalia quais produtos norte-americanos poderão ser incluídos em uma eventual lista de reciprocidade comercial em resposta às tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.



A declaração foi dada em entrevista à CNN durante a passagem de Lula por Nova York, onde o presidente participa da programação relacionada à Assembleia Geral das Nações Unidas. Segundo o presidente brasileiro, a estratégia do governo não é buscar um confronto com Washington, mas manter aberta a possibilidade de negociação.

“Eu acredito na negociação. Farei todo esforço. Temos que pensar em como vamos, quais os produtos que vamos colocar na lista de reciprocidade”, afirmou Lula.
O presidente também disse que não pretende “entrar em guerra com os EUA” e que o Brasil não busca desafiar ou confrontar o governo norte-americano. Ao mesmo tempo, afirmou que Trump não teria o direito de impor suas vontades ao Brasil.

Lula critica postura de Trump

Ao comentar a condução da política comercial norte-americana, Lula afirmou que Trump adota uma forma de governar baseada na ideia de que os demais países deveriam obedecer às decisões dos Estados Unidos.

“Ele age como imperador. É um jeito de governar que eu não concordo”, disse o presidente, segundo relatos da entrevista.

Lula também contestou as justificativas apresentadas para as tarifas e afirmou que o Brasil possui uma relação comercial diferente da retratada pelo governo norte-americano. O presidente disse ainda que, enquanto busca uma solução negociada, o Brasil procura ampliar suas relações comerciais com outros parceiros.

A caracterização de Trump como “imperador” não é inédita. Em junho, Lula já havia utilizado expressão semelhante ao comentar a postura do presidente norte-americano diante das relações com o Brasil. Na ocasião, o presidente brasileiro também afirmou que a negociação comercial entre os dois países ainda estava em andamento.

Governo brasileiro avalia reciprocidade

A possibilidade de aplicar medidas de reciprocidade está relacionada ao processo iniciado pelo governo brasileiro após a adoção de novas tarifas pelos Estados Unidos.

Em agosto, o governo comunicou aos norte-americanos o início das consultas previstas no mecanismo brasileiro de reciprocidade. O procedimento prevê negociações entre as autoridades dos dois países antes da eventual adoção de contramedidas comerciais.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) também publicou uma relação de produtos potencialmente afetados pelas tarifas adicionais norte-americanas, que serve como referência para as medidas adotadas pelo governo brasileiro.

Apesar da possibilidade de reciprocidade, o governo brasileiro mantém os canais de negociação com Washington. Em 31 de agosto, o Ministério das Relações Exteriores e o MDIC informaram que representantes brasileiros haviam retomado conversas com o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) para tratar das novas tarifas.

Negociações seguem abertas

A posição apresentada por Lula nesta segunda-feira indica que o governo brasileiro pretende manter simultaneamente duas frentes: buscar uma solução negociada com os Estados Unidos e preparar uma eventual resposta comercial caso as tratativas não resultem em um acordo.

Em agosto, Lula e Trump também conversaram por telefone sobre as tarifas. Após a conversa, o governo brasileiro informou que representantes dos dois países retomariam as negociações comerciais, com o objetivo de buscar uma solução para as medidas adotadas por Washington.

Até esta segunda-feira (21), não havia definição pública sobre quais produtos norte-americanos poderiam integrar uma eventual lista brasileira de reciprocidade. Lula afirmou que o governo ainda está avaliando essa relação.

A disputa ocorre em um contexto de aumento das barreiras comerciais entre Brasil e Estados Unidos, enquanto os dois governos mantêm canais diplomáticos e comerciais para tentar chegar a um entendimento.


Fontes: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC); Ministério das Relações Exteriores (MRE); CNN Brasil; Reuters.