Lula diz que Trump “age como imperador” e estuda produtos para lista de reciprocidade após tarifaço dos EUA
Em Nova York, presidente afirma que não pretende entrar em confronto com os Estados Unidos e defende a continuidade das negociações comerciais
21/09/2026 16:43
Por Prime Rádio - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (21), em Nova York, que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, “age como imperador” ao conduzir as relações comerciais com outros países. Lula também declarou que o governo brasileiro avalia quais produtos norte-americanos poderão ser incluídos em uma eventual lista de reciprocidade comercial em resposta às tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

A declaração foi dada em entrevista à CNN durante a passagem de Lula por Nova York, onde o presidente participa da programação relacionada à Assembleia Geral das Nações Unidas. Segundo o presidente brasileiro, a estratégia do governo não é buscar um confronto com Washington, mas manter aberta a possibilidade de negociação.
“Eu acredito na negociação. Farei todo esforço. Temos que pensar em como vamos, quais os produtos que vamos colocar na lista de reciprocidade”, afirmou Lula.O presidente também disse que não pretende “entrar em guerra com os EUA” e que o Brasil não busca desafiar ou confrontar o governo norte-americano. Ao mesmo tempo, afirmou que Trump não teria o direito de impor suas vontades ao Brasil.
Lula critica postura de Trump
Ao comentar a condução da política comercial norte-americana, Lula afirmou que Trump adota uma forma de governar baseada na ideia de que os demais países deveriam obedecer às decisões dos Estados Unidos.
“Ele age como imperador. É um jeito de governar que eu não concordo”, disse o presidente, segundo relatos da entrevista.
Lula também contestou as justificativas apresentadas para as tarifas e afirmou que o Brasil possui uma relação comercial diferente da retratada pelo governo norte-americano. O presidente disse ainda que, enquanto busca uma solução negociada, o Brasil procura ampliar suas relações comerciais com outros parceiros.
A caracterização de Trump como “imperador” não é inédita. Em junho, Lula já havia utilizado expressão semelhante ao comentar a postura do presidente norte-americano diante das relações com o Brasil. Na ocasião, o presidente brasileiro também afirmou que a negociação comercial entre os dois países ainda estava em andamento.
Governo brasileiro avalia reciprocidade
A possibilidade de aplicar medidas de reciprocidade está relacionada ao processo iniciado pelo governo brasileiro após a adoção de novas tarifas pelos Estados Unidos.
Em agosto, o governo comunicou aos norte-americanos o início das consultas previstas no mecanismo brasileiro de reciprocidade. O procedimento prevê negociações entre as autoridades dos dois países antes da eventual adoção de contramedidas comerciais.
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) também publicou uma relação de produtos potencialmente afetados pelas tarifas adicionais norte-americanas, que serve como referência para as medidas adotadas pelo governo brasileiro.
Apesar da possibilidade de reciprocidade, o governo brasileiro mantém os canais de negociação com Washington. Em 31 de agosto, o Ministério das Relações Exteriores e o MDIC informaram que representantes brasileiros haviam retomado conversas com o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) para tratar das novas tarifas.
Negociações seguem abertas
A posição apresentada por Lula nesta segunda-feira indica que o governo brasileiro pretende manter simultaneamente duas frentes: buscar uma solução negociada com os Estados Unidos e preparar uma eventual resposta comercial caso as tratativas não resultem em um acordo.
Em agosto, Lula e Trump também conversaram por telefone sobre as tarifas. Após a conversa, o governo brasileiro informou que representantes dos dois países retomariam as negociações comerciais, com o objetivo de buscar uma solução para as medidas adotadas por Washington.
Até esta segunda-feira (21), não havia definição pública sobre quais produtos norte-americanos poderiam integrar uma eventual lista brasileira de reciprocidade. Lula afirmou que o governo ainda está avaliando essa relação.
A disputa ocorre em um contexto de aumento das barreiras comerciais entre Brasil e Estados Unidos, enquanto os dois governos mantêm canais diplomáticos e comerciais para tentar chegar a um entendimento.

Fontes: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC); Ministério das Relações Exteriores (MRE); CNN Brasil; Reuters.
