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Criminosos usam credenciais de juíza para adulterar mandado de prisão de acusado de matar companheira

Alex Leandro Bispo dos Santos, conhecido como “Escorpião do PCC”, passou a não constar como procurado após alteração fraudulenta em sistema nacional; Justiça suspeita de ação hacker

Criminosos usam credenciais de juíza para adulterar mandado de prisão de acusado de matar companheira
Maria Katiane Gomes da Silva e Alex Leandro Bispo dos Santos — Foto: Reprodução/Instagram

Por Prime Rádio - As credenciais de uma juíza do Rio Grande do Sul foram utilizadas para alterar, de forma fraudulenta, o registro do empresário Alex Leandro Bispo dos Santos no Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP). O episódio fez com que o acusado, que possui um mandado de prisão em vigor, deixasse temporariamente de aparecer como procurado nos sistemas consultados pelas forças de segurança.




A informação foi divulgada nesta terça-feira (22) pela Folha de S.Paulo. Segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), o registro de Alex foi modificado com o nome e o CPF de outra pessoa. A principal suspeita da Justiça gaúcha é de que as credenciais da magistrada tenham sido hackeadas ou roubadas e utilizadas por terceiros.


A adulteração teria ocorrido em 23 de agosto. O problema foi identificado em 16 de setembro, quando o Ministério Público de São Paulo verificou que o mandado de prisão de Alex não aparecia mais no BNMP. Após a descoberta, o cadastro foi corrigido.


Alex Leandro Bispo dos Santos é acusado de matar Maria Katiane Gomes da Silva, que morreu após cair do décimo andar de um edifício na Vila Andrade, na zona sul de São Paulo, em novembro de 2025. O Ministério Público sustenta que a morte foi provocada pelo acusado. A defesa, por sua vez, contesta a acusação e afirma que a mulher teria cometido suicídio. Alex também nega ser integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC).


O empresário chegou a ser solto em 6 de agosto de 2026, depois de uma decisão judicial conceder liberdade provisória. O Ministério Público recorreu, e uma decisão de segunda instância restabeleceu a ordem de prisão quatro dias depois, em 10 de agosto. Posteriormente, ocorreu a alteração fraudulenta no BNMP.


Segundo a Justiça, as credenciais atribuídas à magistrada gaúcha também teriam sido utilizadas para modificar e assinar outros documentos de maneira fraudulenta. O caso foi encaminhado ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que deverá apurar o episódio.


Até o momento, o responsável pela adulteração não foi identificado. O Ministério Público informou que Alex é considerado foragido. A defesa do empresário afirmou à Folha que desconhecia a alteração no sistema e que tomou conhecimento do episódio por meio da reportagem.


O caso também ocorre em meio a outras investigações envolvendo o empresário. O nome de Alex foi citado em apurações relacionadas à empresa Favela Conectada e ao financiamento do filme “Dark Horse”. As empresas envolvidas negam irregularidades.


As investigações sobre a adulteração do sistema judicial e sobre a localização de Alex seguem em andamento.


Fontes: Folha de S.Paulo; Metrópoles.