Mahmoud Abbas acusa Israel de promover “plano colonial maligno” em discurso na ONU
Líder palestino afirma que ações em Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental ameaçam a permanência dos palestinos e pede à comunidade internacional medidas contra o deslocamento da população
24/09/2026 15:06
Por Prime Rádio - O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, acusou Israel de conduzir um “plano colonial maligno” com o objetivo de dificultar a permanência dos palestinos em suas terras e forçá-los a deixar a região. A declaração foi feita nesta quinta-feira (24), durante um discurso pré-gravado apresentado na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York.
Segundo Abbas, a situação deixou de representar apenas um obstáculo à criação de um Estado palestino e passou a ameaçar, em sua avaliação, a própria existência da população palestina em seu território. Ele pediu que a comunidade internacional intervenha para impedir uma nova “Nakba”, termo utilizado pelos palestinos para se referir ao deslocamento em massa ocorrido durante a guerra de 1948.
Durante a fala, Abbas também acusou Israel de permitir ataques de colonos contra palestinos na Cisjordânia e afirmou que a expansão dos assentamentos e outras medidas estariam fragmentando o território palestino. As acusações fazem parte da posição apresentada pelo governo palestino e não constituem, por si só, uma conclusão independente sobre as alegações.
Críticas à situação em Gaza
Abbas também abordou a situação humanitária na Faixa de Gaza. Ele afirmou que os palestinos enfrentam destruição de infraestrutura e dificuldades para manter as condições básicas de vida e pediu a retirada das forças israelenses do território e o início da reconstrução.
O presidente palestino criticou ainda a demora na implementação da segunda fase do plano para Gaza apoiado pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. De acordo com Abbas, a primeira etapa não produziu no território os resultados esperados e a fase seguinte, que prevê mudanças na administração e medidas de reconstrução, ainda não teria avançado conforme o planejado.
O plano de Trump foi aprovado pelo Conselho de Segurança da ONU em 2025 por meio da Resolução 2803. O documento prevê, entre outras medidas, o fim das operações militares sob determinadas condições, a libertação de reféns, a retirada gradual das forças israelenses e a reconstrução de Gaza.
Discurso ocorreu por vídeo
Abbas não participou presencialmente da Assembleia Geral. O governo dos Estados Unidos havia negado um visto ao líder palestino e a outros integrantes da delegação palestina, fazendo com que ele realizasse seu pronunciamento por meio de uma gravação.
A decisão de Washington ocorreu pelo segundo ano consecutivo. Segundo informações divulgadas pela Reuters, o Departamento de Estado justificou as restrições com referências às ações de autoridades palestinas para “internacionalizar” o conflito israelo-palestino, incluindo iniciativas em tribunais internacionais.
Em seu pronunciamento, Abbas criticou a decisão e afirmou que a participação palestina nas instituições internacionais deveria ser tratada como parte de uma via diplomática.
Defesa da solução de dois Estados
Ao final do discurso, o líder palestino voltou a defender a criação de um Estado palestino e a chamada solução de dois Estados. Abbas afirmou que os palestinos não aceitariam ser deslocados de suas terras e pediu que a comunidade internacional trabalhe para encerrar a ocupação israelense e preservar a possibilidade de uma solução negociada.
A Agência EFE informou que Abbas também pediu a aceleração da implementação do plano para Gaza e afirmou que o período de transição não deveria se transformar em uma situação permanente ou sem prazo definido.
Fontes consultadas:
Agência EFE — cobertura do discurso de Mahmoud Abbas na ONU
The National — cobertura baseada em informações da Reuters sobre o discurso
ONU — declaração oficial de Mahmoud Abbas
Reuters/UOL — informações sobre a negativa de visto a Abbas
