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Mulher que acusava Jay-Z de estupro diz que alegações eram falsas e afirma nunca ter conhecido o rapper

Em declaração apresentada à Justiça federal dos Estados Unidos, identificada como Jane Doe, mulher afirmou que Shawn Carter nunca a estuprou, que os dois jamais se encontraram ou conversaram e que não recebeu dinheiro para alterar seu relato

Mulher que acusava Jay-Z de estupro diz que alegações eram falsas e afirma nunca ter conhecido o rapper
O rapper Jay-Z — Foto: Chris Delmas/AFP

Por Prime Rádio - A mulher que acusou o rapper Shawn “Jay-Z” Carter de estupro quando ela tinha 13 anos apresentou uma nova declaração à Justiça dos Estados Unidos na qual recua integralmente das acusações contra o artista. Identificada como Jane Doe nos processos judiciais, ela afirmou que nunca conheceu nem falou com Carter e declarou que as alegações feitas contra ele eram falsas.



A declaração, de 12 páginas, foi apresentada na quinta-feira, 24 de setembro, em um tribunal federal de Manhattan. Segundo o documento, a mulher escreveu que Carter “nunca a estuprou”, que nunca o encontrou ou conversou com ele e que o rapper não praticou qualquer conduta inadequada contra ela. Ela também declarou que não havia verdade nas acusações que havia feito anteriormente.

O caso teve início em outubro de 2024, quando Jane Doe apresentou uma ação civil contra Sean “Diddy” Combs. Naquele momento, ela relatou ter sido vítima de abuso sexual aos 13 anos após uma festa relacionada a uma premiação. Em dezembro daquele ano, uma versão alterada da ação passou a identificar Jay-Z como o segundo homem que, segundo o relato original, teria participado do suposto crime. Carter negou as acusações desde o início.

A nova declaração apresenta uma versão diferente sobre a origem do processo. Jane Doe afirmou que respondeu a um anúncio no Facebook, publicado no segundo semestre de 2024, que procurava pessoas com alegações de abuso sexual relacionadas a Combs. Segundo ela, após preencher um formulário, recebeu uma ligação para fornecer informações sobre o caso.
Ela afirmou ainda que inicialmente associou suas lembranças a uma festa após uma premiação, mas que posteriormente surgiram inconsistências em seu relato. De acordo com a declaração, em janeiro de 2025 ela começou a questionar as próprias alegações contra Carter e também passou a duvidar de que tivesse participado de uma festa com celebridades.
A mulher também afirmou que havia informado sua equipe jurídica sobre determinadas condições de saúde mental antes de Jay-Z ser incluído no processo. Essas informações aparecem na declaração apresentada à Justiça e são parte do relato da própria Jane Doe sobre a evolução do caso.
O novo advogado da mulher, James Blair Newman Jr., afirmou que sua cliente continua sustentando ter sido vítima de uma agressão sexual, mas que teria cometido um erro ao identificar Carter como um dos envolvidos. Em declaração divulgada à imprensa, o advogado disse que as acusações contra o rapper eram falsas e que ela apresentou um pedido de desculpas a Carter e à família dele.
Jane Doe também declarou que não recebeu e não teve a promessa de receber qualquer pagamento em troca da nova declaração. Carter, por sua vez, concordou em retirar a mulher como ré de seu processo atual por perseguição judicial indevida (malicious prosecution), que continua contra o advogado Tony Buzbee e seu escritório.
A ação original contra Jay-Z e Combs havia sido retirada voluntariamente pela mulher em fevereiro de 2025, com encerramento que impede a reapresentação do mesmo processo. Na época, já haviam sido divulgadas inconsistências em seu relato e uma gravação na qual ela dizia que Carter não havia participado dos atos sexuais descritos. Buzbee contestou a interpretação daquela gravação e negou ter pressionado a mulher a incluir Jay-Z no processo.
Buzbee também apresentou uma versão diferente sobre a condução do caso. Segundo declarações atribuídas ao advogado, ele não tinha conhecimento da nova declaração quando foi procurado pela imprensa e afirmou que outros advogados de seu escritório haviam conversado com Jane Doe antes de ele assumir o caso. Ele sustentou que ela havia apresentado o mesmo relato anteriormente.
A nova declaração não encerra todas as disputas judiciais relacionadas ao episódio. O processo movido por Carter contra Buzbee e seu escritório continua em Nova York. Em setembro de 2026, uma corte de apelações da Califórnia já havia rejeitado uma tentativa de Carter de reabrir uma ação relacionada às acusações, concluindo que não havia evidências suficientes para demonstrar que Buzbee sabia que as alegações eram falsas quando as apresentou.
Com a nova declaração, portanto, a posição atual de Jane Doe perante a Justiça é que Jay-Z não a estuprou, que ela nunca o conheceu ou conversou com ele e que as acusações que o identificaram como agressor eram falsas. As alegações originais foram negadas por Carter desde sua divulgação.


Fontes: Rolling Stone; CBS News; Reuters; ABC News.