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Propaganda de Lula é questionada no TSE por montagem com aplausos na ONU

Peça eleitoral usa imagens da Assembleia Geral das Nações Unidas e motivou questionamento na Justiça Eleitoral; campanha de Flávio Bolsonaro pede restrições ao material

Propaganda de Lula é questionada no TSE por montagem com aplausos na ONU
Propaganda de Lula usou aplausos a Guterres como se fossem ao petista — Foto: Reprodução

Por Prime Rádio - A propaganda eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entrou no radar do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) após questionamentos sobre o uso de imagens registradas durante a participação brasileira na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York.



A controvérsia envolve uma peça de campanha que utiliza imagens de aplausos ocorridos durante a sessão da ONU. A representação questiona a edição do material e sustenta que a montagem poderia transmitir ao público a impressão de que determinadas manifestações de aplauso eram direcionadas ao presidente brasileiro, quando teriam ocorrido em outro momento da sessão.

O episódio ocorreu após o discurso de Lula na abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU, realizada em 22 de setembro de 2026. O presidente brasileiro foi o primeiro chefe de Estado a discursar, conforme a tradição mantida nas Nações Unidas. Antes dele, falou o secretário-geral da organização, António Guterres.

Durante seu pronunciamento, Lula abordou temas como soberania nacional, interferência estrangeira em processos eleitorais, conflitos internacionais e combate ao crime organizado. Em um dos momentos mais repercutidos, afirmou que "o Brasil não cabe no quintal de ninguém", declaração acompanhada por aplausos no plenário. A Reuters registrou que o presidente também alertou contra interferências externas nas eleições brasileiras.

O que está sendo questionado

A discussão na Justiça Eleitoral está relacionada à forma como as imagens da Assembleia Geral foram utilizadas em propaganda eleitoral. A alegação apresentada contra a peça é de que a edição teria associado ao discurso de Lula manifestações de aplauso que ocorreram em outro momento da sessão, incluindo aplausos durante a fala de António Guterres.

Guterres, que encerra seu mandato como secretário-geral da ONU em 31 de dezembro de 2026, recebeu manifestações de aplauso durante seu último discurso de abertura de uma Assembleia Geral. Entre os temas abordados pelo português estavam a reforma do Conselho de Segurança, a necessidade de maior representação africana no órgão e a criação de um Estado palestino ao lado de Israel.

A existência de aplausos durante a fala de Guterres é registrada por diferentes relatos da sessão. A questão levada à Justiça Eleitoral é, portanto, se a edição utilizada na propaganda preserva o contexto original das imagens ou se a montagem modifica a percepção sobre a reação do plenário ao discurso de Lula.

Campanha de Flávio Bolsonaro acionou o TSE

A controvérsia ocorre no contexto da disputa presidencial de 2026. A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) apresentou pedido ao TSE para impedir a utilização de trechos do discurso de Lula na propaganda eleitoral.

Segundo informações divulgadas sobre a representação, a campanha argumenta que o pronunciamento realizado na ONU teria sido utilizado com finalidade eleitoral. O pedido também menciona precedente de 2022, quando o TSE determinou restrições ao uso, em propaganda eleitoral, de imagens relacionadas ao discurso do então presidente Jair Bolsonaro na Assembleia Geral da ONU.

Até a publicação desta matéria, não havia decisão definitiva do TSE sobre o pedido relacionado ao discurso de Lula. Portanto, o questionamento apresentado à Corte não significa, por si só, que a Justiça Eleitoral tenha reconhecido irregularidade na propaganda.

O que diz a regra eleitoral sobre montagens

O próprio TSE possui jurisprudência e material de orientação sobre o uso de trucagem e montagem em propaganda eleitoral. A legislação considera montagem a junção de registros de áudio ou vídeo que possa desvirtuar a realidade e beneficiar ou prejudicar candidato, partido ou coligação.

A análise do caso deverá considerar o conteúdo integral da peça, a origem das imagens utilizadas, a forma como os diferentes trechos foram editados e o contexto em que as manifestações de aplauso ocorreram.

Discurso de Lula na ONU

Além da discussão eleitoral, o pronunciamento de Lula teve repercussão internacional. O presidente criticou a possibilidade de interferência estrangeira nas eleições brasileiras e defendeu a soberania do país.

O discurso também abordou a guerra no Oriente Médio, o conflito entre Rússia e Ucrânia, a situação da Venezuela, Cuba e Haiti, além da necessidade de reformas nas instituições multilaterais.

A participação de Lula ocorreu em uma sessão marcada também pelo último discurso de abertura de António Guterres como secretário-geral da ONU. O mandato do português termina no final de 2026.

O caso envolvendo a propaganda eleitoral permanece, portanto, sob análise da Justiça Eleitoral. Até que haja decisão do TSE, as alegações apresentadas pelas partes devem ser tratadas como argumentos processuais, e não como uma conclusão definitiva sobre a legalidade da peça.


Fontes consultadas:

Reuters — discurso de Lula na Assembleia Geral da ONU

Tribunal Superior Eleitoral — regras sobre trucagem e montagem em propaganda eleitoral

Folha de S.Paulo — campanha de Flávio Bolsonaro aciona o TSE por discurso de Lula na ONU

TV Sim Brasil — pedido ao TSE envolvendo o discurso de Lula na ONU