Trump e Xi Jinping discutem relação da China com o Irã durante visita aos EUA
Encontro entre os líderes foi marcado por cerimônias e negociações comerciais, mas o apoio econômico de Pequim a Teerã permaneceu como um dos pontos de tensão entre Estados Unidos e China
25/09/2026 15:13
Por Prime Rádio - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebeu o presidente da China, Xi Jinping, na Casa Branca, em Washington, nesta quinta-feira (24), em uma visita de Estado marcada por cerimônias oficiais, jantar de gala e negociações sobre comércio, tecnologia e segurança. Entre os temas discutidos esteve a guerra entre Estados Unidos e Irã e a relação econômica de Pequim com Teerã.
A visita de Xi ocorre em um momento de forte tensão no Oriente Médio. Segundo a Reuters, havia expectativa de que Trump pressionasse o líder chinês para que Pequim exercesse maior influência sobre o Irã. A China, entretanto, mantém uma relação econômica significativa com o governo iraniano, especialmente por meio da compra de petróleo.
Petróleo iraniano é um dos principais pontos de tensão
A China é o principal comprador do petróleo iraniano. Segundo informações citadas pela Reuters e pela Radio Free Europe/Radio Liberty (RFE/RL), mais de 80% das exportações marítimas de petróleo do Irã têm a China como destino, de acordo com dados da empresa de análise de commodities Kpler.
O comércio de petróleo é especialmente relevante porque as exportações iranianas são afetadas pelas sanções impostas pelos Estados Unidos. Washington considera que a continuidade dessas transações fornece ao governo iraniano uma importante fonte de receita.
A senadora americana Jeanne Shaheen afirmou, em discurso no Senado dos Estados Unidos, que cerca de 90% das exportações de petróleo do Irã têm como destino a China. Ela também acusou empresas chinesas e de Hong Kong de fornecer componentes utilizados em mísseis balísticos e drones iranianos. Essas alegações foram apresentadas pela senadora como argumento para que o governo Trump ampliasse a pressão sobre Pequim.
A RFE/RL, porém, registrou que especialistas também recomendaram cautela em relação a algumas acusações sobre suposto fornecimento chinês de inteligência por satélite e componentes militares ao Irã, destacando que China e Irã não confirmaram publicamente essas transferências.
Pequim mantém relação estratégica com Teerã
A posição chinesa em relação ao Irã não se limita ao comércio de petróleo. Os dois países mantêm uma parceria estratégica e relações diplomáticas próximas.
Antes da visita de Xi a Washington, o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, reuniu-se em Pequim com o ministro iraniano das Relações
Exteriores, Abbas Araghchi. De acordo com a RFE/RL, Wang classificou China e Irã como "parceiros estratégicos abrangentes" e afirmou que Pequim pretendia ampliar o diálogo e a cooperação com Teerã.
Ao mesmo tempo, Pequim tem defendido negociações para encerrar o conflito. Durante o encontro com Trump, Xi pediu que Estados Unidos e Irã resolvessem suas divergências por meio de negociações e defendeu uma solução rápida para a guerra, segundo informações divulgadas pela agência estatal chinesa Xinhua e reproduzidas por veículos internacionais.
A posição chinesa evidencia uma diferença entre defender negociações para encerrar o conflito e adotar as medidas de pressão econômica e diplomática que Washington deseja contra o governo iraniano.
Encontro cercado por cerimônias
A visita de Xi foi acompanhada por uma programação oficial elaborada pela Casa Branca. O presidente chinês foi recebido com cerimônia de Estado e participou de um jantar oficial oferecido por Donald Trump e pela primeira-dama Melania Trump.
A Casa Branca informou que o jantar contou com integrantes das delegações oficiais, autoridades governamentais e líderes empresariais. A programação também incluiu apresentações musicais e elementos que procuraram destacar aspectos das culturas americana e chinesa.
Apesar do tom cerimonial, as negociações ocorreram em meio a divergências sobre Taiwan, inteligência artificial, comércio, exportações de tecnologia e a guerra no Oriente Médio.
A Reuters informou que não havia sinais de grandes avanços em algumas das questões mais controversas após a reunião de quinta-feira. Segundo a agência, os dois governos buscavam preservar a estabilidade na relação bilateral enquanto negociavam interesses econômicos e estratégicos.
Relação entre Washington e Pequim permanece complexa
A questão iraniana representa apenas uma das áreas de disputa entre Estados Unidos e China. Washington também tenta administrar diferenças envolvendo Taiwan, comércio, tecnologia avançada e controles sobre exportações.
Para o governo americano, a capacidade chinesa de manter relações comerciais com o Irã representa uma questão importante na estratégia de pressão contra Teerã. Para Pequim, entretanto, o relacionamento com o Irã também envolve interesses econômicos e estratégicos próprios.
Assim, embora Trump e Xi tenham adotado um tom público de cooperação durante a visita, a relação da China com o Irã continua sendo um dos temas que dificultam uma aproximação mais ampla entre as duas maiores economias do mundo.
Fontes consultadas: Reuters, com reportagens sobre a cúpula Trump–Xi e a relação da China com o Irã; Radio Free Europe/Radio Liberty (RFE/RL), com informações sobre o comércio de petróleo e as relações entre Pequim e Teerã; Casa Branca, para os detalhes oficiais da visita de Estado e do jantar.

