Crise entre ministros deixa defesa de Vorcaro em limbo no STF
Oito petições relacionadas ao banqueiro aguardam definição em meio ao impasse sobre a relatoria do Caso Master e à disputa entre André Mendonça e Alexandre de Moraes
25/09/2026 16:33
Por Prime Rádio - A defesa de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, enfrenta dificuldades para obter decisões e audiências no Supremo Tribunal Federal (STF) em meio à crise envolvendo os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes. O impasse está relacionado à condução de processos derivados da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes financeiras e corrupção envolvendo o Banco Master.
Segundo reportagem do Metrópoles publicada em 22 de setembro, oito petições apresentadas pela defesa de Vorcaro permanecem sem despacho. Os advogados tentaram tratar de um pedido de revogação da prisão preventiva do banqueiro tanto com Mendonça quanto com o presidente do STF, Edson Fachin.
Mendonça era, até então, o relator dos processos relacionados ao Caso Master. Entretanto, parte das petições foi encaminhada à Presidência do Supremo, o que levou a defesa a procurar também Fachin.
Em resposta aos advogados, o gabinete do presidente do STF informou que o encaminhamento dos processos à Presidência não significava mudança na relatoria. Dessa forma, Mendonça continuaria responsável pelos processos, segundo a informação transmitida à defesa.
Ao mesmo tempo, o gabinete de Mendonça informou que os atendimentos relacionados aos processos do Banco Master e do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) estavam temporariamente suspensos. De acordo com o Metrópoles, o ministro indicou à defesa que voltaria a despachar pedidos referentes ao Caso Master depois de uma definição da Presidência do STF sobre a manutenção de sua relatoria.
Impasse surgiu após conflito sobre a relatoria
A situação ocorre depois de uma sequência de decisões e manifestações envolvendo Mendonça, Moraes e Fachin.
Mendonça, que atuava como relator do Caso Master no STF, determinou em setembro o levantamento do sigilo de documentos relacionados à investigação.
Entre o material estavam mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro pela Polícia Federal, nas quais investigadores identificaram contatos atribuídos a Alexandre de Moraes.
A divulgação do material provocou uma disputa entre os ministros. Moraes questionou a forma como Mendonça vinha conduzindo parte das investigações e afirmou, em ofício encaminhado a Fachin, que teria ocorrido uma divulgação seletiva de documentos. O ministro pediu o levantamento de sigilo de todos os procedimentos relacionados à Operação Compliance Zero.
Moraes também encaminhou questionamentos sobre a atuação de Mendonça na relatoria. Em setembro, o STF passou a analisar separadamente as questões envolvendo os dois ministros, enquanto a tramitação do procedimento contra Mendonça sofreu alterações na pauta da Corte.
Julgamento sobre Moraes foi interrompido
O plenário do STF também foi acionado para analisar se havia elementos que justificassem uma investigação sobre a relação de Moraes com Vorcaro.
A questão surgiu depois que a Polícia Federal encontrou, no celular do banqueiro, mensagens que indicariam contatos com um número atribuído ao ministro. O material fazia parte das investigações da Operação Compliance Zero.
Durante a sessão de 15 de setembro, os ministros discutiram ainda se os procedimentos relacionados a Moraes e Mendonça deveriam tramitar conjuntamente ou de forma separada. A votação terminou com vantagem de 4 a 3 pela análise separada, mas o ministro Flávio Dino pediu vista antes da proclamação definitiva do resultado, interrompendo a conclusão da questão.
Poucos dias depois, Fachin retirou da pauta o julgamento que trataria da atuação de Mendonça na relatoria do Caso Master. A decisão ocorreu após a questão de ordem levantada por Gilmar Mendes durante o julgamento envolvendo Moraes e Vorcaro.
Defesa tenta obter análise de pedido de liberdade
Nesse cenário, os advogados de Vorcaro buscam uma definição sobre o pedido de revogação da prisão preventiva do banqueiro. A dificuldade, segundo as informações divulgadas, está em identificar qual gabinete deve receber e analisar os pedidos enquanto permanecem as dúvidas sobre a condução dos processos.
A defesa afirmou ao Metrópoles que considera a situação incompatível com o direito de acesso à Justiça. A manifestação representa a posição dos advogados de Vorcaro e não corresponde a uma conclusão do Supremo sobre a questão.
O caso permanece relacionado às investigações da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes financeiras e corrupção envolvendo o antigo Banco Master. O STF já determinou medidas cautelares contra Vorcaro no âmbito das investigações, e o banqueiro permanece preso preventivamente.
Até o momento, o principal ponto de indefinição para a defesa é processual: embora o gabinete de Fachin tenha informado que o envio de petições à Presidência não alterou formalmente a relatoria, o gabinete de Mendonça suspendeu temporariamente os atendimentos relativos ao Caso Master. A situação deixa os pedidos da defesa aguardando uma definição sobre a condução dos processos.
Fontes consultadas: Agência Brasil, reportagens de 14, 15 e 17 de setembro de 2026; Metrópoles, reportagem de 22 de setembro de 2026.

