cover
Tocando Agora:

CLIQUE E ACESSE O PRIME DIÁRIO  

Xi pressiona Trump sobre Taiwan e comércio durante visita aos EUA

Encontro em Washington foi marcado por sinais de aproximação entre os líderes, mas divergências sobre Taiwan, comércio, inteligência artificial e outras questões estratégicas permanecem

Xi pressiona Trump sobre Taiwan e comércio durante visita aos EUA
Xi pressiona Trump sobre Taiwan e comércio durante visita aos EUA (Foto: Reprodução)

Por Prime Rádio - O presidente da China, Xi Jinping, aproveitou a visita de Estado aos Estados Unidos para reforçar a posição de Pequim sobre Taiwan e defender avanços nas negociações comerciais com Washington. O encontro com o presidente americano, Donald Trump, ocorreu em um momento de tentativa de estabilização das relações entre as duas maiores economias do mundo, mas sem eliminar as principais divergências entre os governos.



Xi e Trump se reuniram na Casa Branca na quinta-feira (24), durante a primeira visita de Estado do líder chinês a Washington em mais de uma década. A programação foi acompanhada por cerimônias oficiais, jantar de Estado e outros gestos diplomáticos que destacaram a aproximação pessoal entre os dois presidentes. A visita terminou nesta sexta-feira (25), com um encontro para tomar chá e uma passagem pelo Arquivo Nacional dos Estados Unidos.

Durante a reunião bilateral, Xi afirmou que Pequim espera que os Estados Unidos mantenham uma posição contrária à independência de Taiwan e tratem a questão com cautela. A posição chinesa considera Taiwan parte do território da China, enquanto o governo taiwanês mantém um sistema político próprio e democrático. O Ministério das Relações Exteriores da China confirmou que Taiwan esteve entre os principais assuntos apresentados por Xi durante a conversa.

A questão é particularmente sensível para Washington. A China tem pressionado os Estados Unidos para interromper as vendas de armas a Taiwan. Em maio, após uma reunião anterior com Xi, Trump havia descrito as vendas de armas à ilha como um possível instrumento de negociação. Segundo a Associated Press, os Estados Unidos chegaram a suspender naquele período um pacote de armamentos avaliado em cerca de US$ 14 bilhões.

Na véspera da reunião, a Reuters informou que autoridades e analistas acompanhavam com atenção a possibilidade de Xi tentar obter de Trump algum compromisso relacionado às vendas de armas para Taiwan. A agência também relatou preocupações de aliados dos Estados Unidos na Ásia sobre uma eventual mudança na posição americana em relação à ilha.

No campo econômico, os dois governos também buscaram preservar a trégua comercial estabelecida anteriormente. Estados Unidos e China concordaram nesta semana em estender por dois meses uma trégua tarifária que venceria em 10 de novembro. A medida permite que as negociações continuem enquanto os dois países tentam chegar a um acordo comercial mais duradouro.

Antes da reunião, havia expectativa de avanços em áreas como tarifas, compras de produtos americanos pela China, comércio agrícola, aviação e investimentos. A Associated Press informou, porém, que a implementação de compromissos anteriores apresentava resultados desiguais. Entre eles estava uma promessa chinesa de ampliar as compras de produtos agrícolas americanos, além de uma intenção de adquirir 200 aeronaves da Boeing, que ainda não havia se concretizado.

A inteligência artificial também entrou na pauta. Xi defendeu a continuidade do diálogo entre os dois países sobre a tecnologia, enquanto Trump afirmou que Estados Unidos e China deveriam manter conversações e ampliar a cooperação na área. Apesar disso, os dois governos continuam competindo pelo desenvolvimento de tecnologias avançadas e pelo acesso a componentes estratégicos.

Ao final da cúpula, não houve anúncio de uma solução definitiva para Taiwan ou para as principais disputas comerciais. A Reuters classificou o encontro como marcado por forte simbolismo e diplomacia pessoal, mas com poucos avanços concretos em temas como comércio, Taiwan e inteligência artificial.

A proximidade das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, previstas para novembro, também acrescenta um componente político ao calendário das negociações comerciais. Segundo a Associated Press, autoridades e analistas americanos avaliam que a implementação de medidas comerciais antes das eleições poderia permitir ao governo Trump apresentar resultados econômicos aos eleitores.

Apesar dos sinais públicos de cordialidade, as divergências estruturais entre Washington e Pequim permanecem. Taiwan, comércio, inteligência artificial, tecnologia, segurança e a relação da China com outros países continuam sendo pontos de negociação entre as duas potências.


Fontes utilizadas: Reuters — Trump e Xi encerram cúpula em Washington; Associated Press — compromissos comerciais entre EUA e China; Ministério das Relações Exteriores da China — reunião entre Xi Jinping e Donald Trump.