Homem relata que parte de seu crânio caiu no chão durante cirurgia cerebral de 16 horas
Tom Park-Paul, então com 34 anos, sofreu uma hemorragia cerebral causada pelo rompimento de uma malformação arteriovenosa; durante a operação, um fragmento do crânio retirado pelos médicos caiu no chão
25/09/2026 18:35
Por Prime Rádio - Tom Park-Paul tinha 34 anos e era considerado saudável quando sofreu uma hemorragia cerebral em 2017. Anos depois, ele contou ao jornal britânico The Guardian que, durante uma cirurgia que durou mais de 16 horas, uma parte de seu próprio crânio caiu no chão da sala de operação.

O episódio aconteceu depois que Park-Paul apresentou sintomas enquanto estava em uma academia, em Londres, em maio de 2017. Segundo seu relato, ele sentiu uma espécie de estalo no corpo e percebeu que a perna esquerda havia ficado dormente. Inicialmente, suspeitou que estivesse sofrendo um acidente vascular cerebral.
Ele foi levado ao hospital St Thomas', em Londres. Como os sintomas melhoraram parcialmente, os médicos inicialmente consideraram a possibilidade de uma lesão na coluna e avaliaram que ele poderia receber alta. Posteriormente, entretanto, uma nova avaliação foi solicitada.
De acordo com Park-Paul, seu companheiro, Luke, que trabalhava como enfermeiro de terapia intensiva na época, insistiu que ele realizasse um exame de imagem. Uma tomografia identificou uma grande hemorragia cerebral, e ele foi encaminhado para especialistas no King's College Hospital.
Malformação arteriovenosa
Os exames identificaram uma malformação arteriovenosa (MAV), uma alteração formada por uma rede anormal de vasos sanguíneos. No caso de Park-Paul, a MAV havia se rompido próxima a uma região do cérebro relacionada ao controle dos movimentos dos membros.
Segundo o relato publicado no The Guardian, os especialistas classificaram a malformação como grau 4 em uma escala de 6 pontos utilizada para avaliar a complexidade dessas lesões. A localização e a complexidade tornavam a cirurgia considerada de alto risco.
Após semanas de espera, Park-Paul foi submetido ao procedimento em julho de 2017. A operação envolveu três neurocirurgiões, além de equipes de anestesia e enfermagem, e durou mais de 16 horas.
O fragmento do crânio caiu durante o procedimento
Ao término da cirurgia, o companheiro de Park-Paul recebeu uma ligação informando que o procedimento havia sido concluído. Segundo o relato do paciente, o médico acrescentou que havia ocorrido um incidente: a parte do crânio retirada durante a operação havia caído no chão.
A preocupação imediata era o risco de contaminação. De acordo com Park-Paul, os médicos chegaram a considerar a possibilidade de produzir uma peça substituta por impressão 3D e implantá-la posteriormente. No entanto, optaram por limpar o fragmento e administrar antibióticos adicionais.
Park-Paul afirma que só tomou conhecimento do episódio alguns dias depois, quando começou a despertar do coma induzido. Naquele momento, segundo ele, os medicamentos utilizados durante a recuperação faziam com que tivesse alucinações e alterações emocionais.
Anos depois, ele passou a contar o episódio com humor. Em seu relato ao The Guardian, afirmou que considera engraçada a situação e imaginou os profissionais recolhendo o fragmento e fazendo referência à conhecida ideia da “regra dos cinco segundos”.
Recuperação
A recuperação após a cirurgia foi prolongada. Park-Paul precisou reaprender a caminhar e relata que permaneceu exausto durante meses. Ele também afirma que ficou com uma alteração de propriocepção no pé esquerdo, o que dificulta controlar o membro sem olhar diretamente para ele.
Segundo o próprio relato, os médicos descobriram durante a operação que a malformação arteriovenosa era maior e mais complexa do que havia sido inicialmente estimado.
Apesar das dificuldades posteriores, Park-Paul descreve a experiência de forma positiva e atribui importância ao fato de ter sobrevivido à hemorragia e ao procedimento. Ele e Luke ficaram noivos algumas semanas após a cirurgia e se casaram em 2021.
O caso foi relatado pelo próprio Park-Paul em texto publicado pelo The Guardian em 25 de setembro de 2026. As informações sobre o diagnóstico, a cirurgia, a queda do fragmento ósseo e a recuperação têm como base o relato pessoal publicado pelo paciente.

Fontes
The Guardian — relato de Tom Park-Paul sobre a hemorragia cerebral, a cirurgia e o incidente com o fragmento do crânio.
The Guardian — página da editoria Society, que registra a publicação do relato em 25 de setembro de 2026.
