Boato sobre Nossa Senhora Aparecida gera forte repercussão nas redes sociais
Rumor de que Flávio Bolsonaro teria apoiado proposta para retirar o título de padroeira do Brasil foi desmentido; TSE determinou remoção de conteúdos falsos
26/09/2026 12:40
Por Prime Rádio - Um boato envolvendo Nossa Senhora Aparecida e o candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) provocou forte repercussão nas redes sociais durante a quinta-feira (24) e a sexta-feira (25). A informação que circulou afirmava que o candidato teria apoiado uma proposta para retirar da santa católica o título de Padroeira do Brasil.
A alegação, porém, foi desmentida pelo próprio Flávio Bolsonaro. Segundo informações publicadas pela CNN Brasil e pela Folha de S.Paulo, não há registro de uma proposta atual apresentada pelo candidato com esse objetivo.
A origem da narrativa está relacionada a um projeto apresentado em 2007 pelo então deputado federal Victorio Galli. A proposta pretendia alterar a denominação de Nossa Senhora Aparecida de “Padroeira do Brasil” para “Padroeira dos brasileiros católicos”. O projeto foi arquivado pela Câmara dos Deputados em 2008 e não era de autoria de Flávio Bolsonaro.
O senador e candidato negou ter apoiado o projeto ou qualquer iniciativa semelhante. Em declaração divulgada na sexta-feira, afirmou que era falsa a informação de que teria apoiado uma medida para retirar Nossa Senhora Aparecida da condição de padroeira do país.
A repercussão do episódio foi medida pela empresa de tecnologia e inteligência de dados Palver. De acordo com levantamento divulgado pela CNN Brasil, o assunto chegou a 735 menções a cada 100 mil mensagens nas redes sociais na sexta-feira. Até quarta-feira (23), o volume variava entre 40 e 80 menções a cada 100 mil mensagens.
Entre as manifestações analisadas pela Palver, excluindo publicações consideradas neutras, 73% criticavam Flávio Bolsonaro, enquanto 27% apresentavam apoio ao candidato. No WhatsApp e no Telegram, a proporção registrada foi de 60% de críticas contra 40% de apoio. O levantamento também apontou que aproximadamente 37% das mensagens analisadas tratavam o boato como verdadeiro, enquanto o desmentido do candidato e manifestações em sua defesa representaram 16%.
O episódio também chegou à Justiça Eleitoral. Na sexta-feira (25), o ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou que plataformas digitais removessem publicações que apresentassem como verdadeira a informação de que Flávio Bolsonaro pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.
Na decisão provisória, o ministro classificou a informação como “notoriamente inverídica” e determinou que os provedores atuassem preventivamente contra a disseminação do conteúdo. A ordem estabeleceu ainda multa de R$ 50 mil por dia para cada provedor em caso de descumprimento. A decisão não alcança publicações jornalísticas ou conteúdos destinados a desmentir a informação falsa.
A campanha de Flávio Bolsonaro também solicitou investigação sobre a origem das publicações e pediu à Procuradoria-Geral Eleitoral a apuração de possíveis responsáveis pela disseminação do conteúdo. Segundo a Folha, a campanha afirmou que a informação teria sido utilizada para atingir o candidato perante o eleitorado católico. Essa afirmação corresponde à versão apresentada pela própria campanha e não constitui, por si só, comprovação sobre a origem coordenada do boato.
O caso ganhou dimensão no contexto das eleições presidenciais de 2026 e passou a envolver diretamente o debate político sobre religião. A CNN Brasil destacou que o monitoramento da Palver mede a repercussão do assunto no ambiente digital, mas não permite concluir, por si só, alterações na intenção de voto.
A circulação da informação falsa também levou à publicação de desmentidos e retratações. Segundo a CNN Brasil, o canal de televisão que havia divulgado a associação se retratou e pediu desculpas posteriormente.
Fontes consultadas
CNN Brasil — levantamento da Palver sobre a repercussão do boato e declarações dos envolvidos.
Folha de S.Paulo — decisão do TSE sobre a remoção das publicações e informações sobre o projeto de 2007.
UOL/Agência Estado — declarações de Flávio Bolsonaro negando apoio à retirada do título de Padroeira do Brasil.

