Datafolha: reprovação do STF chega a 47% e bate recorde
Avaliação negativa do Supremo Tribunal Federal avançou sete pontos percentuais desde maio; 18% dos entrevistados classificam o trabalho dos ministros como ótimo ou bom
26/09/2026 19:53
| Atualizado há 4 horas atrás
Por Prime Rádio - A avaliação negativa do Supremo Tribunal Federal (STF) alcançou 47% em setembro, segundo pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (26). O percentual corresponde aos entrevistados que classificaram o trabalho dos ministros da Corte como “ruim” ou “péssimo” e representa o maior índice registrado pelo instituto desde o início da série histórica, em 2019.
Em maio, 40% dos entrevistados haviam avaliado negativamente o desempenho do STF. A variação, portanto, foi de sete pontos percentuais no período. Na pesquisa mais recente, 31% consideraram o trabalho dos ministros regular, enquanto 18% fizeram uma avaliação positiva, classificando-o como “ótimo” ou “bom”. Outros 4% não souberam responder.
O percentual de 18% de avaliação positiva iguala o menor patamar registrado anteriormente pelo Datafolha, observado em dezembro de 2019. Naquele levantamento, a série histórica do instituto ainda estava em seu início.
Pesquisa ouviu 2.002 eleitores
O levantamento foi realizado entre os dias 22 e 24 de setembro de 2026, com 2.002 eleitores em todo o país. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, considerando um nível de confiança de 95%, segundo informações divulgadas sobre a pesquisa.
O Datafolha também identificou diferenças na avaliação do STF de acordo com a preferência eleitoral declarada pelos entrevistados. Entre os eleitores que declararam voto no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 32% classificaram o trabalho dos ministros como ótimo ou bom, enquanto 24% o avaliaram como ruim ou péssimo.
Entre os eleitores que declararam voto no senador Flávio Bolsonaro (PL), 6% fizeram avaliação positiva do STF e 69% classificaram o trabalho da Corte como ruim ou péssimo.
Os números mostram uma diferença significativa entre os grupos pesquisados, mas não permitem, isoladamente, estabelecer uma causa para as avaliações apresentadas pelos entrevistados.
Percepção sobre a conduta dos ministros
A pesquisa também perguntou aos entrevistados sobre situações envolvendo a atuação de integrantes do Supremo. Segundo os resultados divulgados, 88% consideram inaceitável que um ministro julgue um processo no qual o advogado de uma das partes seja seu parente.
Outros 85% consideram inaceitável a participação de ministros em eventos pagos por empresas que tenham ações em tramitação no tribunal. Já 82% consideram inaceitável que magistrados tomem decisões que beneficiem ou prejudiquem candidatos à Presidência durante o período eleitoral.
A pesquisa registra, portanto, uma deterioração da avaliação geral do STF em relação ao levantamento realizado em maio, quando 40% classificavam negativamente o trabalho dos ministros. A variação ocorre no contexto de debates públicos sobre a atuação do tribunal e de questões envolvendo integrantes da Corte, mas a pesquisa, por si só, não estabelece relação causal entre esses acontecimentos e a mudança na avaliação dos entrevistados.
Fontes: Folha de S.Paulo/Datafolha; Exame; O Tempo/Folhapress.

