Dívida pública federal chega a R$ 9,29 trilhões em agosto, e títulos ligados à Selic atingem recorde
Parcela de títulos com taxas flutuantes alcançou 52,74% do estoque da dívida, aproximando-se do limite de 53% projetado pelo Tesouro Nacional para o fim de 2026
28/09/2026 17:53
Por Prime Rádio - A Dívida Pública Federal (DPF) encerrou agosto de 2026 em R$ 9,293 trilhões, uma alta de 0,04% em relação ao mês anterior, segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional nesta segunda-feira (28). O resultado representa um aumento de aproximadamente R$ 3,95 bilhões em relação ao estoque registrado em julho.

O principal destaque do relatório foi a composição da dívida. Os títulos remunerados por taxas flutuantes, que acompanham principalmente a taxa Selic, passaram a representar 52,74% do estoque total em agosto, ante 51,11% em julho. O percentual é o maior da série histórica iniciada em dezembro de 2000.
A participação dos títulos atrelados à Selic ficou próxima do limite superior estabelecido pelo Tesouro Nacional no Plano Anual de Financiamento (PAF) revisado para 2026. O órgão passou a projetar que esses papéis representem entre 49% e 53% da dívida ao final deste ano. A previsão anterior, divulgada no início de 2026, era de uma faixa entre 46% e 50%.
Como ficou a composição da dívida
No fim de agosto, os títulos com taxas flutuantes correspondiam a 52,74% da Dívida Pública Federal. Os papéis vinculados a índices de preços representavam 23,22%, enquanto os títulos prefixados correspondiam a 20,31%. Os papéis cambiais tinham participação de 3,74%.
A parcela dos títulos indexados à inflação caiu de 26,02%, em julho, para 23,22% em agosto. Já os prefixados aumentaram sua participação de 19,22% para 20,31% no mesmo período.
A concentração maior em títulos flutuantes ocorre em um cenário de juros ainda elevados. Na revisão do PAF, o Tesouro Nacional afirmou que o ambiente de maior volatilidade e as taxas de juros elevadas contribuíram para uma maior demanda por instrumentos de menor duração e menor sensibilidade às oscilações das taxas de juros.
Juros compensaram parte dos resgates
Segundo os dados do Tesouro Nacional, a alta de 0,04% no estoque da dívida em agosto ocorreu devido à apropriação de juros de R$ 88,39 bilhões. Esse efeito foi parcialmente compensado por um resgate líquido de R$ 84,43 bilhões.
A Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) terminou o mês em R$ 8,944 trilhões, com queda de 0,05% em relação a julho. Já a Dívida Pública Federal externa (DPFe) alcançou R$ 348,26 bilhões, avanço de 2,41% no período.
Outro indicador acompanhado pelo Tesouro é a reserva de liquidez, utilizada para fazer frente aos compromissos da dívida. Em agosto, o montante caiu 11,89% em termos nominais na comparação com julho, para R$ 1,208 trilhão. Apesar da redução mensal, o valor ficou 6,49% acima do registrado em agosto de 2025.
Projeção para o fim de 2026
A revisão do Plano Anual de Financiamento manteve a previsão de que o estoque total da Dívida Pública Federal termine 2026 entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões.
Para os títulos vinculados à Selic, a projeção passou a ser de participação entre 49% e 53% do estoque. Com os 52,74% registrados em agosto, a composição da dívida já se encontra próxima do limite superior da faixa projetada pelo Tesouro para o encerramento do ano.
A evolução da dívida e de sua composição é acompanhada mensalmente pelo Tesouro Nacional por meio do Relatório Mensal da Dívida (RMD), que apresenta informações sobre o estoque, composição, prazos e custos do endividamento federal.

Fontes consultadas:
Tesouro Nacional — Dívida Pública Federal
Ministério da Fazenda — revisão do Plano Anual de Financiamento da Dívida Pública Federal
Reuters — dados da dívida pública federal em agosto de 2026
