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Proibição das bets se torna o acontecimento político de maior repercussão nas redes em 2026

Medida Provisória assinada pelo governo Lula gerou 2,5 milhões de publicações e 40 milhões de interações entre 25 e 28 de setembro, segundo levantamento do Instituto Democracia em Xeque

Proibição das bets se torna o acontecimento político de maior repercussão nas redes em 2026
As apostas on-line — Foto: Marcelo Theobald / Agência O Globo

Por Prime Rádio - A proibição das chamadas bets no Brasil se tornou, até o momento, o acontecimento político de maior repercussão nas redes sociais no período de 12 meses analisado pelo Instituto Democracia em Xeque (DX). Entre 25 e 28 de setembro, o tema registrou cerca de 2,5 milhões de publicações e 40 milhões de interações, segundo levantamento realizado pela organização com dados da plataforma Talkwalker.



A medida foi anunciada na sexta-feira (25), quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou a Medida Provisória nº 1.394, que proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de loterias de apostas de quota fixa em território nacional. A regra alcança tanto apostas esportivas quanto jogos on-line.

De acordo com o Instituto Democracia em Xeque, a decisão produziu 1,33 milhão de menções nas primeiras 24 horas, superando os 1,01 milhão registrados durante a repercussão da disputa entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, no período analisado pela organização. O levantamento também aponta que o tema alcançou um pico de 85,8 mil publicações por hora.

A repercussão permaneceu elevada nos dias seguintes. No sábado (26), uma segunda onda chegou a 75,4 mil publicações por hora ao meio-dia. No domingo (27), uma terceira onda alcançou 47,3 mil publicações por hora perto das 11h. Para o instituto, a continuidade da mobilização ajudou a diferenciar o episódio de acontecimentos que tiveram concentração maior de atenção apenas nas primeiras horas.

O relatório do DX também identificou uma disputa entre conteúdos favoráveis e contrários à proibição. Entre as publicações que apresentavam posicionamento definido, 57% eram contrárias à medida e 43% favoráveis. Quando consideradas as interações, entretanto, os conteúdos favoráveis somaram 52%, com 8,8 milhões de interações, enquanto os contrários registraram 48%, com 8,2 milhões.

Entre os principais assuntos associados ao debate estiveram a proteção das famílias, o endividamento, os efeitos econômicos da medida, a atuação do governo, a possibilidade de crescimento do mercado ilegal e os impactos sobre clubes esportivos e patrocínios. O instituto também identificou discussões sobre o caráter eleitoral da decisão e sobre modelos alternativos de regulamentação.

O que determina a medida

A Medida Provisória nº 1.394 estabelece que as autorizações, concessões e permissões existentes para exploração de apostas de quota fixa serão extintas ao fim de um período de transição. A partir da publicação da MP, novos aportes nas contas das plataformas ficam proibidos.

Os apostadores têm até as 23h59 de 5 de outubro para realizar o resgate dos valores disponíveis. A partir de 6 de outubro, os sites e aplicativos deverão deixar de funcionar no país. As empresas terão de informar às instituições financeiras os valores devidos individualmente aos apostadores, e os bancos deverão realizar a restituição conforme o cronograma estabelecido pela medida.

A MP também proíbe publicidade, propaganda, marketing e patrocínio relacionados às apostas de quota fixa. O texto prevê mecanismos de bloqueio de sites, restrições a transações financeiras relacionadas às apostas ilegais e a criação de um comitê interinstitucional para coordenar ações de fiscalização.

O governo afirma que a decisão está relacionada à proteção das famílias e ao enfrentamento dos impactos sociais associados às apostas. O Ministério da Saúde, por sua vez, aponta que o crescimento das apostas on-line passou a representar uma demanda de saúde pública e cita problemas relacionados ao transtorno do jogo, como endividamento, conflitos familiares e prejuízos à vida profissional.

A dimensão econômica também passou a fazer parte da discussão. Antes da proibição, o setor de apostas de quota fixa já movimentava valores expressivos no país e estava submetido a um modelo regulatório criado nos anos anteriores. A extinção das autorizações, portanto, afeta empresas, trabalhadores, investidores, clubes esportivos e outros agentes ligados à atividade.

Apesar da abrangência da decisão, a repercussão nas redes não representa necessariamente consenso sobre a medida. O próprio levantamento do Instituto Democracia em Xeque registra a existência simultânea de narrativas favoráveis e contrárias, com diferenças entre o volume de publicações e o número de interações obtidas por cada grupo.

Com 2,5 milhões de publicações e 40 milhões de interações nas primeiras 63 horas, a proibição das bets passou a ocupar o primeiro lugar no painel de acontecimentos políticos monitorados pelo instituto nos 12 meses anteriores. O resultado coloca o episódio acima de eventos como a condenação de Jair Bolsonaro, o caso denominado “Dark Horse” e a disputa entre Mendonça e Moraes no período considerado pelo levantamento.


Fontes: Instituto Democracia em Xeque; Ministério da Justiça e Segurança Pública; Ministério da Saúde; Medida Provisória nº 1.394/2026.