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Flávio Bolsonaro reforça defesa após polêmica com Nossa Senhora e leva debate para temas de campanha

Candidato do PL contesta informação falsa sobre Nossa Senhora Aparecida e, na reta final antes do primeiro turno, passa a destacar segurança, poder de compra e saúde em sua comunicação eleitoral

Flávio Bolsonaro reforça defesa após polêmica com Nossa Senhora e leva debate para temas de campanha
Flávio Bolsonaro com Nossa Senhora Aparecida de crochê — Foto: Reprodução

Por Prime Rádio - A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) entrou na última semana antes do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026 sob forte repercussão da controvérsia envolvendo uma informação falsa sobre Nossa Senhora Aparecida. O candidato passou os últimos dias contestando a informação de que teria intenção de retirar da santa o título de Padroeira do Brasil e, paralelamente, vem concentrando sua comunicação eleitoral em temas como segurança pública, poder de compra e saúde.



A informação sobre uma suposta iniciativa para retirar o título de Nossa Senhora Aparecida não tem relação com um projeto de autoria de Flávio Bolsonaro. A origem da narrativa está em uma proposta apresentada em 2007 pelo então deputado federal Victório Galli, que sugeria uma alteração na denominação atribuída à santa. O projeto foi arquivado em 2008. Flávio não participou de sua autoria.

A controvérsia ganhou força nas redes sociais durante a campanha e chegou à Justiça Eleitoral. Em 25 de setembro, o ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou que plataformas digitais removessem publicações que apresentassem como verdadeira a informação de que Flávio ou integrantes de sua família pretendiam retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. A decisão classificou a narrativa como falsa.

O episódio também provocou manifestações da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). A entidade afirmou que não produziu, autorizou ou participou da elaboração ou divulgação de informações falsas relacionadas às eleições. A CNBB também declarou não integrar estruturas político-partidárias.

Nos últimos dias, Flávio passou a responder publicamente à controvérsia. Em 28 de setembro, durante agenda de campanha em São Paulo, ele agradeceu à CNBB pela manifestação e participou de um ato no qual apareceu ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) segurando uma imagem de Nossa Senhora Aparecida. O gesto ocorreu um dia após o candidato ter acusado pessoas ligadas à CNBB de contribuir para a disseminação da informação falsa, acusação que a entidade negou.

A disputa também alcançou o Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Flávio Dino havia derrubado uma decisão de André Mendonça que determinava a retirada das publicações relacionadas ao caso. Posteriormente, o ministro Luiz Fux suspendeu a decisão de Dino, restabelecendo provisoriamente as determinações anteriores até nova análise do caso.

Últimos dias de propaganda eleitoral

Com o primeiro turno marcado para 4 de outubro, a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão entra em seus últimos dias. De acordo com as regras estabelecidas para as eleições, o horário eleitoral segue até 1º de outubro, três dias antes da votação. Além dos blocos fixos, as campanhas utilizam inserções de 30 e 60 segundos distribuídas durante a programação das emissoras.

Nesse período, a comunicação de Flávio também apresenta outros integrantes do campo político que o apoia, entre eles Michelle Bolsonaro e Tarcísio de Freitas. A presença dos dois nomes ocorre em um contexto no qual o candidato procura associar sua campanha a temas centrais de sua plataforma, incluindo segurança pública, condições econômicas e saúde.

Em registros anteriores da campanha, Flávio já havia defendido a união de diferentes lideranças da direita. Em janeiro, por exemplo, afirmou que Michelle tinha “um papel importantíssimo” e classificou Tarcísio como um “aliado fundamental”.

A estratégia de comunicação ocorre enquanto as campanhas intensificam a disputa por espaço no horário eleitoral e nas redes sociais. Levantamento do Congresso em Foco publicado em 28 de setembro identificou 301 processos envolvendo candidatos, partidos e coligações presidenciais no TSE desde o início oficial da campanha, em 16 de agosto. Lula e Flávio Bolsonaro concentram 285 dessas ações, relacionadas principalmente a pedidos de direito de resposta e questionamentos sobre propaganda e conteúdo eleitoral.

A controvérsia envolvendo Nossa Senhora Aparecida, portanto, permanece simultaneamente no campo político, nas redes sociais e no Judiciário. Enquanto Flávio sustenta que foi alvo de uma informação falsa, decisões judiciais e manifestações de instituições religiosas passaram a fazer parte da disputa sobre a circulação do conteúdo. Na última semana antes da votação, a campanha procura também manter o foco em suas principais pautas eleitorais, entre elas segurança, economia e saúde.


Fontes utilizadas: Agência Brasil — CNBB nega envolvimento em polêmica sobre santa católica; UOL/Projeto Comprova — Entenda como projeto arquivado e posts alimentaram desinformação religiosa; CNN Brasil — Flávio e Tarcísio erguem imagem de Nossa Senhora Aparecida após fake news; Folha de S.Paulo — TSE determina remoção de notícia falsa sobre Nossa Senhora.