Lula pede inclusão de suspensão de serviços consulares dos EUA em investigação sobre interferência eleitoral
Presidente considera que a interrupção dos atendimentos, anunciada às vésperas das eleições, deve ser analisada junto a outros episódios envolvendo a atuação norte-americana no processo eleitoral brasileiro
02/10/2026 17:11
Por Prime Rádio - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu que a suspensão dos serviços consulares dos Estados Unidos no Brasil seja considerada nas investigações relacionadas a possíveis tentativas de interferência estrangeira nas eleições brasileiras. A decisão norte-americana ocorreu nesta sexta-feira (2), dois dias antes do primeiro turno das eleições, sob a justificativa de preocupações de segurança.

Os Estados Unidos suspenderam os serviços consulares na Embaixada em Brasília e nos consulados de São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Porto Alegre. O Departamento de Estado não divulgou publicamente qual seria a ameaça específica nem estabeleceu uma data para a retomada dos atendimentos.
Segundo informações divulgadas pela Reuters, uma fonte com conhecimento do assunto afirmou que funcionários da Embaixada dos EUA em Brasília foram orientados a trabalhar de casa devido a uma ameaça recebida pela representação diplomática. A fonte, entretanto, não apresentou detalhes sobre a natureza da ameaça. O governo norte-americano afirmou que está trabalhando em cooperação com autoridades brasileiras para tratar das questões de segurança.
A Polícia Federal também passou a apurar as circunstâncias relacionadas às alegadas ameaças. Segundo informações publicadas pela imprensa brasileira nesta sexta-feira, buscas foram realizadas em São Paulo e no Distrito Federal e, até o momento, não foram encontrados indícios de ameaça às instalações diplomáticas norte-americanas. A investigação continua com a análise do material apreendido.
A suspensão ocorreu em um contexto de tensão entre os governos brasileiro e norte-americano e de discussões sobre possíveis interferências externas nas eleições de 2026. Em julho, o governo brasileiro negou vistos a dois funcionários do Departamento de Estado dos EUA que pretendiam viajar ao Brasil para tratar de questões relacionadas à integridade eleitoral, liberdade de expressão e liberdade religiosa. Na ocasião, autoridades brasileiras afirmaram que a visita poderia representar uma tentativa de influência sobre o processo eleitoral, enquanto o governo norte-americano classificou a interpretação como infundada e afirmou que a viagem teria caráter institucional.
A Advocacia-Geral da União também solicitou uma investigação da Polícia Federal sobre um suposto repasse de US$ 1 milhão de um fundo do governo dos Estados Unidos para um projeto relacionado a questões de liberdade de expressão e alegações de censura no Brasil. A investigação busca esclarecer a destinação dos recursos e a eventual participação de organizações brasileiras.
O governo dos Estados Unidos, por sua vez, sustenta oficialmente que a suspensão dos serviços consulares ocorreu por razões de segurança e não apresentou publicamente uma relação entre a medida e as eleições brasileiras. A Reuters informou que o Departamento de Estado não vinculou o fechamento ao pleito.
A Embaixada da Austrália em Brasília também anunciou a suspensão de suas atividades presenciais nesta sexta-feira, citando o alerta de segurança emitido pelos Estados Unidos. A Austrália recomendou ainda que seus cidadãos evitassem as instalações diplomáticas norte-americanas e áreas próximas.
O episódio será analisado pelo governo brasileiro dentro de um cenário mais amplo de preocupação com possíveis ações estrangeiras capazes de afetar o processo eleitoral. Até o momento, porém, não há confirmação pública de que a suspensão dos serviços consulares tenha sido uma ação de interferência eleitoral. A justificativa oficial apresentada por Washington permanece relacionada à segurança.

Fontes utilizadas: Reuters, Agência Brasil, UOL/Reuters e Folha de S.Paulo.
