PL domina Câmara e Senado e desafia recondução de Motta e Alcolumbre no comando do Congresso
Nova composição do Legislativo amplia espaço da direita e pode favorecer eventual governo de Flávio Bolsonaro ou aumentar a pressão sobre uma possível gestão de Lula
05/10/2026 16:34
Por Prime Rádio - O resultado das eleições de 2026 alterou significativamente a correlação de forças no Congresso Nacional. O Partido Liberal (PL) terminou a disputa como a maior bancada tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado, fortalecendo a direita e criando um novo cenário para a eleição das presidências das duas Casas, prevista para o início de 2027.

Na Câmara, o PL elegeu 121 deputados federais, o equivalente a 23,6% das 513 cadeiras. O número representa um crescimento de 24 deputados em relação à bancada formada após as eleições de 2022. A federação formada por PT, PCdoB e PV ficou em segundo lugar, com 88 cadeiras, sendo 70 do PT. União Brasil e PP, que integram o União Progressista, elegeram conjuntamente 87 deputados.
O resultado também consolidou a presença da direita no Legislativo. Levantamento da Folha de S.Paulo aponta que partidos classificados como de direita somarão 303 cadeiras na Câmara, enquanto a esquerda terá 124 e o centro, 86. A classificação ideológica, porém, não significa que todos os parlamentares de um mesmo campo votarão necessariamente de forma uniforme em todas as matérias.
No Senado, o avanço do PL foi ainda mais expressivo. O partido elegeu 19 senadores e deverá iniciar 2027 com 28 integrantes, considerando também os parlamentares que já possuem mandato. Com esse resultado, a legenda terá a maior bancada partidária da Casa no início de uma legislatura desde a promulgação da Constituição de 1988, segundo a Agência Câmara.
O PT deverá contar com nove senadores, enquanto o MDB terá oito. A nova configuração dá ao PL uma posição central nas negociações sobre a composição da Mesa Diretora e sobre a agenda legislativa do Senado.
Disputa pelas presidências
A mudança na composição do Congresso ocorre às vésperas das eleições para as presidências da Câmara e do Senado, que serão realizadas no começo da nova legislatura.
Atualmente, a Câmara é presidida por Hugo Motta (Republicanos-PB), enquanto Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) ocupa a presidência do Senado. Os dois buscam permanecer no comando de suas respectivas Casas em 2027.
O cenário, entretanto, ficou mais complexo após as eleições. Análise publicada pelo Poder360 aponta que Motta e Alcolumbre chegam à disputa com menor força política e terão de negociar com bancadas mais alinhadas à direita. O quadro é especialmente relevante porque ambos se aproximaram do governo Luiz Inácio Lula da Silva durante 2026.
Motta, por exemplo, declarou apoio à reeleição de Lula durante a campanha. Na Paraíba, porém, seu pai, Nabor Wanderley, terminou a disputa pelo Senado em terceiro lugar, enquanto o próprio Hugo Motta foi reeleito deputado federal com 124.334 votos, abaixo dos 158.171 obtidos em 2022.
Alcolumbre também sofreu uma derrota política em seu estado. O grupo do presidente do Senado perdeu a disputa pelo governo do Amapá, enquanto os dois candidatos eleitos para o Senado pelo estado são adversários de seu grupo político, segundo o Poder360. Além disso, o senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição, surge como um dos nomes que podem disputar espaço na sucessão do Senado.
Relação com um eventual governo Flávio Bolsonaro
A nova composição do Congresso pode ter impacto direto sobre o próximo governo federal, independentemente de quem ocupar a Presidência da República.
Caso Flávio Bolsonaro, do PL, seja eleito presidente, a existência de uma bancada numerosa de seu partido nas duas Casas poderá facilitar a formação de uma base parlamentar. O PL, entretanto, não possui sozinho os 257 deputados necessários para formar maioria absoluta na Câmara nem os 41 senadores necessários para maioria absoluta no Senado.
Isso significa que mesmo um eventual governo de Flávio Bolsonaro precisaria negociar com outras legendas para aprovar projetos que dependam de maioria no Congresso. A vantagem política estaria principalmente no tamanho da bancada e na possibilidade de construir uma coalizão a partir de uma posição mais favorável.
A situação seria diferente caso Lula permanecesse no Palácio do Planalto. O presidente teria de lidar com uma Câmara e um Senado mais à direita do que o atual Congresso, o que tende a aumentar a necessidade de negociação com partidos de centro e direita.
A própria relação entre Lula e os atuais presidentes das Casas ilustra essa dinâmica. Em agosto, Lula, Motta e Alcolumbre se reuniram no Palácio da Alvorada para definir prioridades legislativas. Na ocasião, foram discutidas propostas como o fim da escala 6x1, a PEC da Segurança Pública, medidas relacionadas à chamada “taxa das blusinhas”, o marco legal dos minerais críticos e incentivos para data centers.
Novo equilíbrio de forças
O resultado das urnas não determina, por si só, quem comandará a Câmara e o Senado. A escolha dos presidentes das Casas depende dos votos dos próprios parlamentares e costuma envolver negociações partidárias, distribuição de espaços na Mesa Diretora e acordos sobre a pauta legislativa.
Por isso, embora o PL tenha saído das eleições com a maior bancada nas duas Casas, ainda não é possível afirmar que o partido controlará automaticamente as presidências do Congresso.
O que já está definido é a mudança na composição parlamentar. A partir de 2027, o PL terá a maior bancada partidária da Câmara, com 121 deputados, e deverá liderar o Senado, com 28 integrantes. O novo cenário dará à legenda maior capacidade de influência sobre a agenda nacional e tornará as negociações para a escolha de Motta e Alcolumbre — ou de eventuais substitutos — mais complexas.
A configuração também terá consequências para o próximo governo. Uma eventual administração de Flávio Bolsonaro poderá encontrar um Congresso ideologicamente mais próximo de sua base política, enquanto uma eventual continuidade de Lula exigirá articulação com um Legislativo no qual a direita terá peso significativamente maior.

Fontes consultadas: Agência Câmara — PL terá maior bancada no Senado; Senado Notícias — composição da Câmara após as eleições; Poder360 — novo Congresso e disputa pelas presidências da Câmara e do Senado; CNN Brasil — nova composição das bancadas do Congresso.
