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PGR arquiva pedido para investigar suposta interferência dos EUA nas eleições, mas PF mantém apuração

Procuradoria considerou que não havia elementos mínimos para abrir inquérito; Polícia Federal decidiu analisar o caso após pedido da AGU

PGR arquiva pedido para investigar suposta interferência dos EUA nas eleições, mas PF mantém apuração
Flávio Bolsonaro (PL) fala após resultado do primeiro turno das eleições — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo

Por Prime Rádio - A Procuradoria-Geral da República (PGR) arquivou o pedido apresentado pela Advocacia-Geral da União (AGU) para investigar uma possível interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras de 2026. Segundo a Procuradoria, a representação não apresentava elementos mínimos que justificassem a abertura de um inquérito naquele momento.



A decisão foi tomada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, após a AGU solicitar que fossem apuradas informações sobre um suposto financiamento do governo norte-americano a iniciativas contrárias à atuação do Supremo Tribunal Federal (STF).

O pedido da AGU teve como ponto de partida uma reportagem do jornal britânico The Guardian, publicada no fim de setembro. Segundo a publicação, o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria destinado US$ 1 milhão, provenientes de um fundo ligado a direitos humanos e democracia, a um projeto denominado “Countering Lawfare and Censorship in Brazil” — em português, “Combate ao Lawfare e à Censura no Brasil”.

A AGU havia acionado tanto a PGR quanto a Polícia Federal para verificar se os recursos poderiam estar relacionados a uma eventual atuação estrangeira sobre o processo político e eleitoral brasileiro. O órgão argumentou que, caso fosse comprovada a utilização de recursos estrangeiros para interferir em assuntos internos do país, poderia haver indícios de ingerência externa.

PF adota entendimento diferente

Apesar do arquivamento pela PGR, a Polícia Federal decidiu seguir com uma apuração própria. O diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, afirmou em 4 de outubro que a PF havia recebido a representação da AGU e iniciado um procedimento preliminar para analisar as informações.

Segundo Rodrigues, a Diretoria de Inteligência da PF foi encarregada de analisar o material. Na ocasião, ele esclareceu que ainda não havia sido formalizada uma portaria de instauração de inquérito policial, tratando-se de uma etapa preliminar de investigação.

A divergência entre os órgãos significa que o arquivamento determinado pela PGR não encerrou a análise do assunto pela Polícia Federal.

O que motivou o pedido da AGU

A controvérsia surgiu após a divulgação de informações sobre um programa do governo norte-americano que teria previsão de US$ 1 milhão para iniciativas relacionadas a críticas ao STF e à atuação do Judiciário brasileiro.

A Agência Brasil informou que, de acordo com o The Guardian, os recursos fariam parte de um pacote maior de aproximadamente US$ 176,9 milhões destinado a diferentes projetos internacionais ligados à agenda do governo Trump. O Departamento de Estado dos EUA afirmou que os programas tinham como objetivo apoiar direitos e princípios considerados importantes pelo governo norte-americano.

A existência da previsão de recursos, entretanto, não comprova por si só que tenha ocorrido interferência nas eleições brasileiras. Esse foi um dos pontos considerados pela PGR ao avaliar o pedido apresentado pela AGU. Conforme as informações divulgadas sobre a manifestação da Procuradoria, não havia elementos concretos suficientes para justificar a abertura de uma investigação pelo Ministério Público Federal naquele momento.

Investigação não significa que interferência tenha sido comprovada

A decisão da PGR e a apuração mantida pela Polícia Federal tratam de etapas distintas. O fato de a PF analisar a hipótese não significa que uma interferência estrangeira nas eleições tenha sido comprovada.

Da mesma forma, o arquivamento pela PGR não estabelece que nenhuma irregularidade possa ter ocorrido. A manifestação considerou insuficientes os elementos apresentados naquele momento, deixando aberta a possibilidade de uma nova apuração caso surjam informações concretas sobre eventual atuação ilícita em território brasileiro.

O episódio ocorre durante o processo eleitoral de 2026 e em meio a tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos. A missão de observação eleitoral da Organização dos Estados Americanos (OEA), em relatório preliminar divulgado após o primeiro turno, mencionou manifestações de autoridades estrangeiras sobre a eleição brasileira, mas não concluiu pela existência de uma interferência estrangeira comprovada no processo eleitoral.


Fontes consultadas: Agência Brasil — AGU aciona PF para apurar suposto repasse de Trump a ações contra STF; Reuters — PF abriu apuração sobre suposta interferência externa nas eleições do Brasil; CNN Brasil — Andrei diz que PF abriu investigação sobre interferência dos EUA na eleição; Folha de S.Paulo — PF abre procedimento prévio a pedido da AGU.