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Café brasileiro recupera espaço nos EUA, mas exportações de cafés especiais ainda enfrentam desafios

Dados do setor mostram avanço nos embarques de café em agosto de 2026, enquanto a categoria de cafés diferenciados registra queda no acumulado do ano; Estados Unidos seguem como principal destino desse segmento.

Café brasileiro recupera espaço nos EUA, mas exportações de cafés especiais ainda enfrentam desafios
Secagem de grão ao sol: método usado é usado na produção de café especial no Vale do Café, como na Fazenda Alliança, em Barra do Piraí — Foto: Gabriel de Paiva

Por Prime Rádio - O café brasileiro voltou a apresentar resultados expressivos nas exportações em agosto de 2026, mas o desempenho dos cafés especiais ainda exige atenção. Dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) mostram que os embarques totais cresceram na comparação anual, enquanto os cafés diferenciados tiveram retração no acumulado de janeiro a agosto.



Segundo o Cecafé, o Brasil exportou 4,155 milhões de sacas de café de 60 quilos em agosto, volume 31% superior ao registrado no mesmo mês de 2025. A receita cambial alcançou US$ 1,331 bilhão, alta de 19,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os resultados representam recordes para o mês de agosto, tanto em volume quanto em receita.

O avanço foi impulsionado pela maior disponibilidade de café arábica da safra e, principalmente, pelo crescimento dos embarques de conilon e robusta, variedades que ampliaram sua participação nas exportações brasileiras.

Cafés especiais seguem em ritmo diferente

Apesar da recuperação dos embarques totais, os cafés diferenciados apresentaram um resultado menos favorável. A categoria reúne produtos de qualidade superior, cafés com certificações de práticas sustentáveis e cafés especiais, conforme a classificação utilizada pelo Cecafé.

Entre janeiro e agosto de 2026, o Brasil exportou 4,294 milhões de sacas dessa categoria, uma redução de 15,8% em comparação com o mesmo intervalo de 2025. A receita obtida com esses embarques somou US$ 1,763 bilhão, queda de 19% na comparação anual.

O preço médio dos cafés diferenciados foi de US$ 410,62 por saca. Embora representassem 17,1% do volume total exportado pelo Brasil no período, esses produtos responderam por 20,1% da receita cambial gerada pelas exportações brasileiras de café.

Os números indicam que os cafés diferenciados continuam tendo relevância econômica para o setor, mas enfrentam uma trajetória distinta daquela observada no conjunto das exportações.

Estados Unidos mantêm a liderança na compra de cafés diferenciados

Mesmo diante da retração registrada pela categoria, os Estados Unidos permaneceram como o principal destino dos cafés diferenciados brasileiros entre janeiro e agosto de 2026.

De acordo com o levantamento do Cecafé, o mercado norte-americano importou 625.758 sacas, equivalentes a 14,6% do total exportado pelo Brasil nessa categoria.

Na sequência aparecem Bélgica, Alemanha, Itália e Países Baixos. A distribuição das compras demonstra que a demanda por cafés de maior valor agregado não está concentrada em um único mercado, embora os Estados Unidos mantenham posição de destaque.

A liderança norte-americana é relevante para os exportadores brasileiros porque o segmento diferenciado depende de compradores interessados em atributos como qualidade, origem, certificações e características específicas do produto. Entretanto, os dados disponíveis não permitem atribuir a queda das exportações dessa categoria a uma única causa.

Recuperação do volume não significa recuperação de todos os segmentos

O desempenho de agosto mostra que o mercado internacional continua absorvendo volumes expressivos de café brasileiro. Ainda assim, a evolução positiva do total exportado não se traduziu, no acumulado dos oito primeiros meses de 2026, em crescimento para todas as categorias.

O contraste entre o avanço dos embarques totais em agosto e a redução dos cafés diferenciados no acumulado do ano evidencia a importância de analisar separadamente os segmentos do mercado cafeeiro.

Para produtores e exportadores de cafés especiais, o desafio é ampliar a presença internacional e preservar o valor comercial de produtos que competem não apenas por volume, mas também por qualidade e diferenciação.

Os próximos resultados das exportações ajudarão a esclarecer se a retração dos cafés diferenciados será revertida nos meses seguintes. Até lá, os dados disponíveis apontam para um cenário misto: crescimento expressivo dos embarques totais em agosto, mas desempenho acumulado ainda negativo para os cafés brasileiros de maior valor agregado.


Fontes consultadas

1. Cecafé — Conselho dos Exportadores de Café do Brasil: 

Exportação de café do Brasil tem melhor agosto da história: 4,16 milhões de sacas

. Fonte principal para os dados de volume, receita, cafés diferenciados e destinos das exportações.

2. CNN Brasil: 

Cafés especiais brasileiros podem gerar US$ 188 milhões em negócios nos EUA

. Reportagem sobre as oportunidades comerciais para os cafés especiais brasileiros no mercado norte-americano.

3. Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços: 

Resultados do Comércio Exterior Brasileiro

. Base oficial para consultar séries históricas de exportações, valores, volumes e preços do café brasileiro.