Tereza Cristina manifesta interesse em presidir o Senado e vê espaço para impeachment de ministros do STF
Senadora do PP afirma que o cenário político pode favorecer a discussão de pedidos de afastamento de magistrados a partir de 2027. Parlamentar também negocia com Davi Alcolumbre e pretende apresentar emendas à proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6x1.
12/10/2026 16:24
Por Prime Rádio - A senadora Tereza Cristina (PP-MS) afirmou que tem interesse em disputar a presidência do Senado Federal e avalia que existe ambiente político para discutir pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). As declarações foram divulgadas nesta segunda-feira (12), em meio às articulações para a formação da nova composição do Congresso Nacional.

Em entrevista à GloboNews, a parlamentar disse que a discussão sobre a atuação do Supremo ganhou destaque durante as eleições para o Senado e que os parlamentares eleitos serão cobrados pela população a analisar os fatos relacionados à Corte.
“Eu vejo o ambiente, sim”, afirmou Tereza Cristina ao comentar a possibilidade de avanço das iniciativas contra ministros do STF a partir de 2027.
A senadora defendeu que o debate seja conduzido com responsabilidade e relacionou a discussão à necessidade de delimitar as atribuições dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário.
Presidência do Senado depende de articulação política
Tereza Cristina também tem conversado com o atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e com outros parlamentares sobre a sucessão no comando da Casa.
A eleição para a presidência do Senado está prevista para o início de 2027, quando os novos parlamentares assumirão seus mandatos. Para vencer a disputa, um candidato precisa reunir apoio suficiente entre os senadores.
A ex-ministra da Agricultura do governo Jair Bolsonaro é considerada uma possível candidata por setores do centro e da direita. Outro nome citado nas articulações é o senador Rogério Marinho (PL-RN), aliado do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).
Alcolumbre, por sua vez, poderá buscar a reeleição para o comando da Casa. O resultado das eleições legislativas e as negociações entre os partidos devem influenciar a definição da próxima presidência.
A escolha terá relevância para a agenda do Senado, incluindo a tramitação de propostas legislativas, a análise de indicações para cargos públicos e a condução de eventuais pedidos de impeachment de ministros do Supremo.
Como funciona o impeachment de ministros do STF
Pela legislação brasileira, cabe ao Senado processar e julgar ministros do Supremo Tribunal Federal por crimes de responsabilidade. O recebimento de uma denúncia depende de procedimentos legais e da atuação da presidência da Casa.
Para aprovar o impeachment de um ministro do STF, são necessários votos favoráveis de dois terços dos senadores, o equivalente a 54 dos 81 integrantes do Senado.
A discussão sobre o afastamento de magistrados ganhou força entre setores da oposição e aliados de Flávio Bolsonaro. Entretanto, a existência de apoio político à pauta não significa que um processo será necessariamente aberto ou que um pedido de impeachment será aprovado.
Em levantamento publicado em outubro, a Folha de S.Paulo identificou ao menos 49 parlamentares eleitos ou com mandato para a próxima legislatura que defendem, ainda que com ressalvas, a possibilidade de impeachment de ministros do Supremo. O número está abaixo dos 54 votos necessários para aprovar o afastamento.
Senadora também discute mudanças na escala 6x1
Além das articulações políticas para 2027, Tereza Cristina participa das negociações sobre a proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6x1, modelo em que o trabalhador atua por seis dias e tem um dia de descanso.
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 avançou no Senado após aprovação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), em setembro de 2026, e seguiu para análise do plenário.
O texto aprovado na comissão prevê a redução da jornada máxima semanal de 44 para 40 horas e o estabelecimento de dois dias de descanso remunerado, sem redução salarial.
Tereza Cristina manifestou preocupação com a velocidade da tramitação e defendeu que o tema seja discutido com mais tempo. A senadora também pretende apresentar emendas ao texto, com o objetivo de propor alterações à redação em análise.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, afirmou que a proposta deve seguir o rito constitucional. A tramitação inclui sessões de discussão e votações em dois turnos, conforme as regras aplicáveis às emendas à Constituição.
A posição de Tereza Cristina sobre a escala 6x1 e suas articulações para a presidência do Senado refletem as negociações políticas que antecedem a próxima legislatura. Os desdobramentos dependerão das decisões dos partidos, da composição da Casa e do andamento das propostas em discussão.

Fontes consultadas
1. BOL — Brasil Online: Tereza Cristina vê ambiente para investigar ministros do STF e diz que Senado será cobrado. Publicada em 12 de outubro de 2026.
2. Agência Senado: Fim da escala 6x1 passa na CCJ e vai a Plenário. Publicada em 2 de setembro de 2026.
3. Folha de S.Paulo: Senado terá ao menos 49 congressistas a favor de impeachment no STF, 5 abaixo do mínimo. Publicada em outubro de 2026.
