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Crise no TSE: ministros criticam Nunes Marques por barrar análise em plenário sobre canal “Exército do Lula”

Decisões divergentes sobre o canal político no WhatsApp provocaram desconforto entre integrantes do Tribunal Superior Eleitoral. Presidente da Corte determinou a suspensão do espaço, enquanto o corregedor Ricardo Villas Bôas Cueva havia autorizado seu funcionamento provisório.

Crise no TSE: ministros criticam Nunes Marques por barrar análise em plenário sobre canal “Exército do Lula”
Sessão Plenária do TSE em 29/09/2026 — Foto: Leobark Rodrigues/Secom/TSE

Por Prime Rádio - A condução de um caso envolvendo o canal “Exército do Lula”, no WhatsApp, provocou divergências entre integrantes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ministros ouvidos reservadamente pela imprensa criticaram a atuação do presidente da Corte, Kassio Nunes Marques, após ele tomar uma decisão que contrariou uma determinação anterior do corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva.



O canal, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), é utilizado para divulgar conteúdos políticos e mobilizar apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A controvérsia chegou ao tribunal após a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula na disputa presidencial, pedir a suspensão do espaço sob a alegação de divulgação de informações falsas.

Em 11 de outubro, Nunes Marques determinou a suspensão do canal. Horas depois, Cueva reverteu a medida e autorizou provisoriamente o funcionamento, enquanto o caso aguardava uma análise mais ampla.

A sequência de decisões gerou críticas internas e levantou questionamentos sobre a divisão de competências dentro da Justiça Eleitoral.

Divergência entre decisões do presidente e do corregedor

Antes da decisão de Nunes Marques, Cueva já havia solicitado informações complementares às partes sobre as alegações apresentadas pela campanha de Flávio Bolsonaro. O corregedor entendeu que o processo precisava de mais elementos antes de uma decisão definitiva.

Ao suspender o canal por outra via processual, o presidente do TSE adotou uma medida que entrou em conflito com a condução do caso pelo corregedor. Cueva argumentou que a sobreposição de decisões em procedimentos diferentes poderia comprometer a coerência das decisões judiciais e a segurança jurídica.

O corregedor também defendeu que a controvérsia fosse submetida ao plenário do tribunal, formado pelos ministros responsáveis pelas decisões colegiadas da Corte.

A discussão envolve não apenas o conteúdo publicado no canal, mas também os limites de atuação da presidência do TSE quando uma questão relacionada ao mesmo assunto já está sob análise de outro ministro.

Ministros relatam desconforto e questionam procedimento

Segundo relatos publicados pela CNN Brasil, integrantes do TSE manifestaram desconforto com a decisão de Nunes Marques. Parte dos ministros avaliou, reservadamente, que o presidente teria interferido em uma questão que já estava sob a relatoria de Cueva.

As críticas também envolvem a opção por uma decisão em procedimento administrativo, em vez de aguardar o andamento da ação judicial e a análise colegiada defendida pelo corregedor.

Essas avaliações foram atribuídas a fontes ouvidas sob reserva e não representam, necessariamente, uma posição oficial de todos os integrantes do tribunal.
Nunes Marques, por meio de interlocutores, negou que suas decisões tenham sido tomadas com o objetivo de favorecer a candidatura de Flávio Bolsonaro.

Por que o canal foi alvo de questionamento?

A campanha de Flávio Bolsonaro alegou que o canal disseminava informações falsas sobre propostas atribuídas ao senador, incluindo afirmações relacionadas ao Bolsa Família, às aposentadorias e a outros temas políticos.

Ao determinar a suspensão, Nunes Marques mencionou a circulação de conteúdos que, segundo a decisão, já haviam sido considerados inverídicos pela Justiça Eleitoral.

André Janones contestou a medida e classificou a retirada do canal como censura. O caso se tornou mais um foco de disputa entre as campanhas presidenciais durante o segundo turno das eleições de 2026.

A existência de uma denúncia, porém, não significa que todas as publicações do canal sejam falsas ou que tenha sido comprovada uma atuação coordenada ilegal. Essas questões dependem da análise das evidências e das decisões judiciais pertinentes.


Fontes consultadas

1. CNN Brasil — Ministros veem atropelo de Nunes Marques a colega e citam mal-estar no TSE. Reportagem sobre as críticas internas e as divergências entre os ministros.

2. Agência Brasil — Corregedor derruba decisão que suspendeu canal “Exército do Lula”. Histórico das decisões e justificativas apresentadas pelos magistrados.

3. Rádio Itatiaia — Após ordem de Kassio, campanha registra “Exército do Lula” no TSE. Atualização sobre as determinações de 13 de outubro.