Janones promete cumprir decisões do TSE sobre o canal “Exército do Lula”
Deputado afirma que recorrerá das decisões pelas vias legais e descarta incentivar ataques ao Judiciário e à imprensa. Declaração ocorre após nova suspensão do canal de WhatsApp por determinação do presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques.
Por Prime Rádio - O deputado federal André Janones (Rede-MG) afirmou nesta terça-feira (13) que respeitará as decisões judiciais relacionadas ao canal “Exército do Lula”, utilizado para mobilizar apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A declaração foi feita a jornalistas no Palácio do Planalto, em Brasília, após uma nova decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, que suspendeu o funcionamento do canal.

Janones declarou que pretende recorrer quando considerar necessário, mas que cumprirá as determinações judiciais. O parlamentar também afirmou que não pretende estimular ataques à imprensa ou ao Judiciário caso enfrente novas derrotas nos tribunais.
“Não vou criticar as decisões. Vou recorrer onde for possível recorrer”, disse o deputado, segundo informações divulgadas pela imprensa.
O caso ocorre durante o segundo turno das eleições presidenciais de 2026 e envolve uma disputa judicial sobre o uso do canal para mobilização política e a possível circulação coordenada de conteúdos considerados irregulares.
Nova decisão determina condições para reativação
Na decisão desta terça-feira, Kassio Nunes Marques determinou que o canal só poderá voltar a funcionar após a comunicação de seu endereço à Justiça Eleitoral.
O ministro havia determinado a suspensão do “Exército do Lula” no domingo (11), sob o argumento de que o grupo estaria sendo utilizado para disseminar conteúdos falsos relacionados à campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula na disputa presidencial.
A decisão inicial, porém, foi posteriormente suspensa pelo corregedor-geral eleitoral do TSE, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, que determinou a reativação do canal. A divergência entre as decisões ampliou a discussão sobre a condução do caso dentro da Justiça Eleitoral.
As medidas judiciais têm como contexto uma ação apresentada pela campanha de Flávio Bolsonaro, que acusa Janones de coordenar a divulgação de conteúdos desinformativos e ofensivos contra o candidato. Essas alegações são objeto de análise judicial e não devem ser tratadas como fatos definitivamente comprovados.
Relatório técnico não identificou as publicações citadas na denúncia
Um relatório da área técnica do TSE, divulgado na segunda-feira (12), informou que não foram encontradas, nas mensagens e nos vídeos examinados do canal, reproduções das afirmações específicas apontadas no processo.
A análise abrangeu publicações realizadas entre 2 e 11 de outubro de 2026. Segundo a equipe técnica, não foram localizados conteúdos idênticos ou substancialmente equivalentes às afirmações examinadas nos autos.
O relatório também registrou a existência de atuação coordenada na disseminação de conteúdo e apontou o uso recorrente de linguagem polarizadora. Essas observações, contudo, não equivalem à confirmação das acusações específicas apresentadas pela campanha adversária.
Janones negou que o canal tenha divulgado notícias falsas e contestou as acusações. O deputado afirmou que pretende continuar mobilizando apoiadores dentro dos limites estabelecidos pelas decisões judiciais.
Janones descarta ataques ao Judiciário
Ao comentar a possibilidade de novas decisões desfavoráveis, o parlamentar afirmou que não pretende direcionar ataques à Justiça Eleitoral, ao Supremo Tribunal Federal (STF) ou à imprensa.
Segundo Janones, a estratégia será utilizar os recursos legais disponíveis e cumprir as determinações emitidas pelas autoridades competentes. Ele também rebateu as suspeitas levantadas contra o canal e disse que não considera necessária a disseminação de informações falsas para mobilizar eleitores.
O episódio ocorre em um ambiente de forte disputa política e judicial entre as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro. A controvérsia envolve os limites da mobilização digital durante o período eleitoral, a atuação coordenada de apoiadores e a competência dos integrantes do TSE para decidir sobre medidas urgentes.
O andamento do caso dependerá das próximas decisões da Justiça Eleitoral e da análise das alegações apresentadas pelas partes.

Fontes consultadas
1. Agência Brasil — Técnicos do TSE não encontram conteúdo falso em canal “Exército do Lula”. Reportagem sobre a análise técnica das publicações e as conclusões apresentadas ao tribunal.
2. UOL Notícias — Agência Estado — Janones diz que respeitará decisões judiciais sobre “Exército do Lula”. Reportagem sobre as declarações do deputado e a nova decisão judicial.
3. Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — TSE determina esclarecimentos antes de analisar pedidos de Flávio contra Lula e Janones. Comunicado oficial sobre a ação eleitoral e os pedidos apresentados pela campanha de Flávio Bolsonaro.
